Um campeonato em que quem perdeu foi a EDP

Existem ideias em marketing que são inovadoras, arrojadas, só para os audazes ou destemidos e que só os bravos se atrevem a seguir e a implementar. Pois bem, são essas as ideias fora do quadrado que se pretendem apanhar e encaixotar por aqui, sendo merecedoras da nossa atenção como bons exemplos a seguir por qualquer gestor de empresa ou de marca que se aventure na gestão para o mercado e consumidores.

Ora, essas ideias inovadoras e desafiantes devem ser sempre medidas e colocadas à prova, pois só assim serão testadas e avaliadas como bem sucedidas em conseguir capitalizar negócios com os seus produtos e serviços. Porém, algumas dessas ideias não devem ser seguidas por quebrarem os limites do bom senso, e para o qual, muitos exemplos passados, mal conseguidos, permitiram antever tratar-se de péssimas práticas em prol da insustentabilidade de qualquer marca e negócios! Recentemente assistimos a uma dessas investidas, talvez menos bem citadas, e que ganhou dimensão de agenda noticiosa, para além da sua menor relevância, mas que mostra que todas as marcas são geridas perante uma frágil plataforma em constante equilíbrio de sustentabilidade. Falamos, pois claro, da brilhante (ironia)  investida do presidente da EDP no pantanoso terreno do clubismo, quando, em entrevista para a Antena 1 teria mencionado o desejo de ver o Benfica vencedor do clássico jogo contra o rival nortenho, justificando o beneficio que arriscava que essa vitoria traria para a economia e PIB nacional.

Página do Facebook contra EDP

Não pretendendo questionar as bases da fundamentação da relação existente entre as vitórias de um clube para o progresso da economia, mas esta declaração do líder da EDP gerou um impacto infelizmente negativo para o Karma da marca que terá sido eventualmente mais enfatizado devido ao facto da justiça do jogo ter premiado o FC Porto. Foram pois várias as ações virais que se geraram à volta deste fait diver que dilapidam a confiança dos consumidores na companhia elétrica. Desde a criação de grupos no Facebook, a comentários virais nas redes sociais e em meios de comunicação social, foram várias as manifestações dos adeptos que se incomodaram com as afirmações pouco institucionais do porta-voz da EDP.

Todos os agentes internos da marca, do mais temporário colaborador ao presidente da empresa, devem medir as consequências das suas ações, incorrendo no risco de exporem a marca ao ridículo e à quebra da confiança de quem a recepciona – o cliente – e a assume como sua, identificando-se com os seus atos e postura. Perante isto se considerarmos que nem todos temos a mesma religião, cor política ou fanatismo clubístico, facilmente detetamos o perigo a evitar que é a associação de uma marca ou empresa de dimensão global ao feudo de um único destes universo, afiliando-se “a meio do campeonato” da sua criação de identidade de marca, conquistando parte dos clientes dessa fação e perdendo todos os outros.

Se a estes cálculos somarmos as rivalidades e ódios existentes nestas três áreas (futebol, religião e política) podemos antecipar os ataques aos quais a marca se expõe.

Felizmente para as marcas, a memória do consumidor tende a agarrar-se mais à relação com os produtos e serviços adquiridos do que à comunicação efémera que dela emana e vai evoluindo com o tempo. Boas notícias para a EDP no final do túnel. Certo é que não a veremos tão cedo a comentar as vulgaridades do futebol novamente.

Vamos empacotar esta história entre os casos de marketing a aprender com os erros dos outros!

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