Porque mentem os consumidores?

Sem que se pretenda entrar num campo mais denso e na área de sociologia – necessário para entender o que se segue -, gostaríamos de partilhar que muito nos intriga e fascina a oposição dos hábitos de consumo face ao que publicamente se partilha e se demonstra pretender consumir.

Foi com o mais recente vídeo viral que apresenta jovens a serem entrevistados no festival de música Indie dos EUA, o Coachella, que despertámos a necessidade de refletir sobre esta realidade e o impacto que ela tem para as marcas e para a Gestão do Marketing.

Pois bem, nesse filme realizado para o programa do apresentador Jimmy Kimmel e que visava alimentar um segmento de humor no programa lançou o desafio de questionar o público jovem desse festival sobre as suas opiniões de bandas cujos nomes sonantes e alternativos não existiam. O resultado foi evidentemente uma comédia com uma grande partilha de entusiasmo e fãs assumidos para o que na realidade não existia.

A pressão do grupo fazem-nos a todos nós, consumidores, adotar comportamentos que não nos identificam, e que, vistos à lupa não são considerados padrão, mas que, na prática levam ao consumo de produtos que não foram direccionados para o nosso perfil de consumidores. Mas porque procuramos a glória refletida, e aceitação dos nossos pares, tendemos a mentir.

Esta mascara que esconde o consumidor português permite que o consumidor não se sinta claustrofóbico na sua identidade e imagem que projeta de si, e que vai transformando e gerindo para melhor sobreviver consigo próprio e em equilíbrio com a sociedade.

Só assim podemos entender porque que embora o horário nobre das televisões seja ocupado por novelas, ou reality shows, mas depois não ocupe o principal motivo de conversa de amigos. Esse comportamento e hábito de consumo não é integrador, e revela uma face que o consumidor por vezes prefere e entende ter que esconder.

Este facto empurra as marcas para uma difícil tarefa de filtrar os comportamentos para melhor segmentar e posicionar os seus produtos.  Uma marca que não entenda que as motivações para a compra vão para além do óbvio é uma marca em risco.

Na realidade não é a vontade de comer peixe cru, é antes a vontade de dar a entender que cuida de si. Não é a vontade de ler o interminável “Em busca do tempo perdido”, é antes a afirmação de que sabe quem é Marcel Proust. Não é a vontade de ser fotografo, é antes a possibilidade de mostrar que gosta de fotografia através da máquina certa. Não é o desejo de estar sempre a trabalhar, é antes o desejo de mostrar que pertence à tribo dos utilizadores Apple com o iPad.

Enfim, este jogo é amplamente entendido, apenas deve de estar presente sempre que se tomar uma decisão estratégica para que não se leve um impulso de pertença para um vazio de consumo. Que a criatividade fora da caixa tenha presente o sentido de pertença, pressão de grupos e o mundo real.

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